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Depois da ocorrência de várias tragédias ocasionadas por instalações elétricas precárias, a sociedade e os órgãos governamentais atentaram-se para a importância da segurança quando o assunto é energia elétrica. Muitos progressos ocorreram nesta área, mas o Brasil ainda é deficiente quando se fala em atender aos requisitos de normas técnicas, seja em produtos, projetos ou instalações.
Diversos fatores podem ser citados como impedimento para que as normas - em especial a NBR5410, que rege as instalações elétricas de baixa tensão e influência diversas outras - não sejam aplicadas, mas duas causas se destacam: desconhecimento e custo.
Apesar de seu texto ter sido um pouco simplificado na última revisão, realizada em 2004, a norma ainda é de difícil compreensão e muito extensa. Muitos profissionais não têm tempo para estudá-la tampouco recursos para adquiri-la. As normas e certificações não são sequer apresentadas e estudadas nos cursos e escolas profissionalizantes, o que dificulta ainda mais o conhecimento dos critérios ali descritos. Constantemente, novos profissionais chegam ao mercado sem ter contato com as normas, o que perpetua o problema.
Segurança nunca é demais, mas costuma ser negligenciada por profissionais do setor elétrico e pelos órgãos responsáveis pela fiscalização de obras civis, que raramente punem os infratores. As construtoras mais estruturadas costumam contratar projetistas e instaladores capacitados e seguidores das normas técnicas, porém o maior entrave está nas obras realizadas por pessoas pouco ou nada habilitadas (especialmente na chamada auto-construção), que simplesmente ignoram sua existência.
A situação é preocupante e o Brasil tem muito a evoluir. É inconcebível que sejam utilizadas torneiras de ouro no lavabo, mas se economize nas instalações elétricas. Os custos empregados para o cumprimento da norma não são tão relevantes no valor total da obra, porém, a segurança a pessoas e ao patrimônio alcançada com essas medidas não tem preço. É sabido que os produtos eletroeletrônicos funcionam mesmo sem que as normas não sejam atendidas, mas a pergunta que se faz é: vale a pena correr o risco de colocar em perigo a própria vida?
O mercado, hoje, dispõe de diversos componentes e tecnologias que visam oferecer maior segurança em caso de sobrecarga, incêndio, evitando fumaça ou choques. É um segmento que registra crescimento, mas poderia apresentar uma demanda maior dada sua importância. Para que isso ocorra, é necessário um trabalho conjunto entre entidades, indústrias, comércio e profissionais, para que tais conceitos sejam divulgados.
Nos últimos anos, muitas palestras, cursos e seminários foram realizados no sentido de informar sobre as normas e sobre os produtos disponíveis, um caminho eficiente neste processo, mas não o único.
A imposição pelo cumprimento das normas deve ser mais incisiva, assim como a fiscalização e as penalidades cabíveis. São medidas que só trarão benefícios à sociedade e permitirão que a energia elétrica deixe de ser uma das principais causas de incêndios e acidentes domésticos.
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